sábado, 11 de junho de 2016

A VÍTIMA NÃO TEM CULPA E PONTO FINAL


Na última semana o que mais se comenta no país é o caso do estupro coletivo que ocorreu no Rio de Janeiro. Primeiramente, para que não haja dúvida, reafirmo o que muitos já falaram a vítima nunca tem culpa. Esse caso teve relevância nacional, pois acabou caindo nas redes virtuais, mas segundo estatísticas oficiais, doze mulheres são estupradas todos os dias no Brasil. Numa matemática simples, em um ano são 4.365 mulheres, nos casos oficiais que são registrados. 
Não sou e nem sirvo de baluarte da moral, mas vamos refletir um pouco. Historicamente somos um país machista, mas não é só o Brasil, o mundo o é, e muitas vezes esse machismo é fortalecido por várias mulheres, pois já ouvi muitas mães dizerem a seus filhos meninos que homem não chora. Pode parecer bobo, mas não é. Homem chora sim, tem medo, homem ama, homem sofre, sente dor, homem sente tudo que um ser humano sente. 
Também temos a questão do funk e, me perdoem as pessoas que curtem esse tipo de música e até a minha ignorância sobre este estilo. Mas infelizmente o que vejo atualmente através de algumas letras de funk é que elas propagam o machismo e a mulher como objeto de uso do homem. 
“Eliza Maria, é, baile de favela, Invasão, é, baile de favela E as casinha, é, baile de favela E os menor preparado pra foder com a xeca dela”(MC João)
“Meninas trazem currículo, o João te da trabalho Senta na piroca Sua gostosa do caralho” (Mc João).
Não vou me estender nos exemplos, até porque tem palavras inadequadas e creio que não há necessidades de comentar, algo que fica evidente nas letras e infelizmente dançada e cantada por meninas, que talvez sejam vitimas de um sistema educacional excludente. Também não podemos dizer que isso seja liberdade de expressão; tudo tem limite, inclusive a liberdade. Afinal de contas propagar o nazismo é crime; propagar o racismo é crime; propagar a homofobia é crime; e propagar a desmoralização da mulher nas letras dessas músicas é o que? Arte?
Quem me conhece sabe que defendo a liberdade de expressão, das ideias, do respeito a escolha das pessoas, mas as letras citadas acima são ofensas. Nada justifica um estupro, ainda mais pra mim que aprendi que para uma mulher não se levanta nem a mão. Mas temos que começar a pensar melhor o que consideramos música, expressão cultural, expressão de liberdade, enfim, não pudemos confundir liberdade com libertinagem, senão estaremos sempre diante desses fatos que vem e sai da mídia e, de concreto nada muda. 
Fabrício Colombo.

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